Escondido no Cosme Velho, bairro vizinho de Laranjeiras, o Largo do Boticário é uma pequena praça de casarões coloridos, calçamento de pedra e muito verde, com ar de cidade antiga. É um dos cantinhos mais charmosos — e menos conhecidos — do Rio.
O nome vem do boticário (o farmacêutico da época) Joaquim Luís da Silva Souto, que morou ali por volta de 1831. As casas que se veem hoje foram remodeladas entre as décadas de 1920 e 1940 em estilo neocolonial, com fachadas, portas e janelas que recriam o clima do Rio dos tempos coloniais.
Ao lado do largo corre, a céu aberto, o Rio Carioca — um dos poucos trechos em que ainda se pode ver o rio que deu aos moradores da cidade o nome de “cariocas”. Ele nasce nas montanhas da Floresta da Tijuca e desce pelo Cosme Velho e por Laranjeiras, mas quase todo o seu curso hoje corre canalizado sob as ruas.
Depois de anos de abandono, parte dos casarões foi restaurada e hoje abriga um hotel, aberto por volta de 2022, que devolveu vida ao lugar. O largo também já serviu de cenário para o cinema: aparece, por exemplo, no filme de James Bond “007 contra o Foguete da Morte” (Moonraker), de 1979.
O ponto forte é a atmosfera: o som da água, as árvores e as casas antigas fazem do largo um refúgio silencioso a poucos passos do movimento. O Cosme Velho é também o bairro de Machado de Assis, que viveu ali até o fim da vida e ganhou o apelido de “Bruxo do Cosme Velho”. A estação do Trem do Corcovado fica bem perto.
Dicas: é um passeio curto, ideal para combinar com a subida ao Cristo pelo Trem do Corcovado. Vá de dia, com calma, e respeite o sossego de quem vive e se hospeda ali. Não há bilheteria nem estrutura de visitação: o encanto está em caminhar devagar e reparar nos detalhes.