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Quarto · Mirante Laranjeiras

Santa Teresa

O bairro do bondinho amarelo, no alto do morro vizinho.

1750inauguração do Aqueduto da Carioca
1896o bonde elétrico passa a cruzar os Arcos
≈ 1,9 kmdo Mirante, a norte-nordeste
O bondinho de Santa Teresa sobre os Arcos da Lapa Foto: Rodrigo Soldon · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Um convento dá nome ao morro

O morro já se chamou do Desterro, por causa de uma capela erguida ali em 1620. Em 1750, com o apoio do governador Gomes Freire de Andrade, Jacinta Rodrigues Aires — a madre Jacinta de São José — lançou a pedra fundamental do Convento de Santa Teresa, das carmelitas descalças.

O convento deu nome ao morro e ao bairro, e ainda hoje abriga freiras em clausura.

Vista do Convento de Santa Teresa, pintura de Henri Nicolas Vinet (1863) Foto: Henri Nicolas Vinet, 1863 · Domínio público · Wikimedia Commons

Os Arcos: de aqueduto a viaduto

Aos pés do convento corre o Aqueduto da Carioca, os Arcos da Lapa. Inaugurado em 1750, levava ao Chafariz da Carioca a água do Rio Carioca — o mesmo rio que desce o vale de Laranjeiras. São 42 arcos em dois andares, com 270 metros de comprimento e 17,6 metros de altura.

Quando deixou de transportar água, no fim do século XIX, o aqueduto ganhou nova função: a partir de 1896, passou a servir de viaduto para os bondes que sobem a Santa Teresa.

O Aqueduto da Carioca fotografado por Charles-Claude Bachelier, c. 1858–1861 Foto: Charles-Claude Bachelier · Domínio público · Wikimedia Commons

O bondinho

Os trilhos chegaram ao morro na década de 1870, com um plano inclinado. Em 1º de setembro de 1896 começou a circular o bonde elétrico sobre os Arcos, numa bitola incomum de 1,10 m, imposta pelas dimensões do aqueduto.

Depois de um acidente em 2011, o serviço foi suspenso e o sistema, reconstruído. Os bondes voltaram em 2015, com carros novos. É a última linha de bonde histórico em operação no Rio.

Bonde sobre os Arcos, entre c. 1907 e 1915 Foto: Acervo Instituto Moreira Salles · Domínio público · Wikimedia Commons

Refúgio de artistas

Por volta de 1850, fugindo da febre amarela que castigava a parte baixa da cidade, muitas famílias subiram o morro e ergueram casarões. No começo do século XX, o palacete de Laurinda Santos Lobo reunia artistas e intelectuais como Villa-Lobos e Tarsila do Amaral; suas ruínas viraram, em 1997, o Parque das Ruínas, hoje Parque Glória Maria.

Ao lado fica o Museu Chácara do Céu, casa do colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya, aberta ao público desde 1972, com obras de Matisse, Portinari, Di Cavalcanti e Debret.

Parque das Ruínas: tijolos antigos, vidro e aço Foto: Paulisson Miura · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

A escadaria de Selarón

Em 1990, o artista chileno Jorge Selarón começou a cobrir de azulejos os degraus que ligam a Lapa a Santa Teresa, junto ao convento. Ao morrer, em 2013, tinha transformado os 215 degraus num mosaico de cerca de 5 mil peças vindas de aproximadamente 120 países.

Os degraus da escadaria de Selarón Foto: Balou46 · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Música e boemia

Boemia no alto e aos pés do morro

Aos pés de Santa Teresa fica a Lapa, coração da boemia carioca desde o início do século XX: terra de sambistas, cabarés e malandros — a mesma Lapa que Chico Buarque evocou na Ópera do Malandro (1978). Desde 1982, o Circo Voador, junto aos Arcos, é palco de shows que marcaram o rock brasileiro dos anos 1980.

No alto do morro, o Carnaval tem a cara do bairro: o Bloco das Carmelitas, criado em 1990, nasceu da história de uma freira que teria pulado o muro do convento para cair na folia. Os foliões saem vestidos de freira para esconder a fugitiva, que “escapa” na sexta-feira de Carnaval e “volta” na terça. E os bares em volta do Largo dos Guimarães, por onde passa o bondinho, guardam o clima de vila de artistas.