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Quarto · Mirante Laranjeiras

Laranjeiras

O bairro onde você está: palácios, chácaras e o berço do futebol brasileiro.

1780primeiro registro do nome Laranjeiras
1865a princesa Isabel se muda para o futuro Palácio Guanabara
1914primeiro jogo da Seleção Brasileira, em Laranjeiras
Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro Foto: Donatas Dabravolskas · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Um vale entre o morro e o rio

Laranjeiras ocupa o vale do Rio Carioca, que desce das encostas do Corcovado em direção ao mar. Depois da expulsão dos franceses, no século XVI, as terras foram divididas em sesmarias; nos séculos seguintes, vieram roças, pomares e chácaras.

O nome aparece num documento pela primeira vez em 1780. A tradição diz que vem dos laranjais que cresciam às margens do rio — versão popularizada por viajantes como a inglesa Maria Graham, em 1821. Historiadores lembram, porém, que naquela época havia por aqui bem mais pés de café do que de laranja.

O palácio da princesa

Com a chegada da corte portuguesa, em 1808, as chácaras do vale viraram endereço da nobreza. A mais famosa começou a ser construída em 1853 pelo português José Machado Coelho. Comprada pela família imperial e reformada, tornou-se em 1865 a residência da princesa Isabel e do conde d’Eu — o Paço Isabel.

Com a República, em 1889, o palácio foi confiscado e passou à União. Getúlio Vargas morou nele durante o Estado Novo, e ali resistiu ao ataque integralista de 1938. Desde 1960 é sede de governo — primeiro do estado da Guanabara, depois do estado do Rio de Janeiro. Hoje o conhecemos como Palácio Guanabara.

O Paço Isabel, hoje Palácio Guanabara, em 1870 Foto: Acervo do Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

Os Guinle, um palácio e um parque

Entre 1909 e 1914, o empresário Eduardo Guinle ergueu, na encosta, o Palácio Laranjeiras, projeto de Armando Carlos da Silva Telles, com mármores, mosaicos e pinturas de Frans Post. Passou ao governo federal nos anos 1940, serviu de residência presidencial e é hoje a residência oficial do governador do Rio.

Os antigos jardins da família, desenhados pelo paisagista francês Gérard Cochet, formam o Parque Guinle. Entre 1948 e 1954, Lúcio Costa projetou ali três prédios residenciais que anteciparam as superquadras de Brasília — premiados na 1ª Bienal de São Paulo, em 1951.

O Palácio Laranjeiras e, atrás, os prédios de Lúcio Costa no Parque Guinle Foto: Donatas Dabravolskas · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Berço do futebol brasileiro

No campo do Fluminense, vizinho ao Palácio Guanabara, a Seleção Brasileira fez sua primeira partida: em 21 de julho de 1914, venceu o Exeter City, da Inglaterra, por 2 a 0.

Em 1919, o estádio foi reconstruído para o Campeonato Sul-Americano — e foi em Laranjeiras que o Brasil conquistou seu primeiro título internacional. Três anos depois, ampliado para 25 mil pessoas, recebeu os Jogos Latino-Americanos do Centenário da Independência.

O estádio das Laranjeiras em 1919, ano do primeiro título da Seleção Foto: Autor desconhecido · Domínio público · Wikimedia Commons

Laranjeiras hoje

Na década de 1880, a Fábrica de Tecidos Aliança trouxe operários, vilas e bondes elétricos ao bairro. Laranjeiras manteve casarões, prédios art déco e ruas arborizadas, e segue um bairro residencial, arborizado e cheio de vida. No vizinho Cosme Velho viveu Machado de Assis, o “Bruxo do Cosme Velho”. Em 2026, a revista britânica Time Out colocou Laranjeiras em 17º lugar entre os 40 bairros mais legais do mundo.

Rua arborizada junto ao Parque Guinle Foto: Rodrigo S. Maior · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

Música e boemia

Laranjeiras em canção

O bairro entrou para o pop brasileiro pela mão de Nando Reis. Em “All Star”, que ele escreveu para a amiga Cássia Eller e lançou em 2000, Laranjeiras aparece como o endereço dela, cujo apartamento ele frequentava. Nando já contou em entrevista que o prédio ficava, na verdade, no vizinho Cosme Velho — mas a canção já tinha posto Laranjeiras no mapa. Na voz de Cássia, no disco Dez de Dezembro (2002), a música ficou ainda mais conhecida que a original.

A boemia do bairro é de rua e de roda: aos sábados, a feira da Rua General Glicério costuma ser embalada por chorinho ao vivo, e os botecos em volta da feira e da Praça São Salvador juntam vizinhos, músicos e quem está só de passagem.