Mirar, de onde se mira
Mirante vem de mirar, olhar com atenção. É o ponto alto de onde se contempla a paisagem — e o Rio, cidade espremida entre montanhas e mar, sempre teve vocação para eles. No fim do século XIX, o alto do Corcovado já tinha um mirante coberto, o Chapéu do Sol, muito antes de existir o Cristo.
Em 1903, a prefeitura de Pereira Passos ergueu a Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista: um pavilhão de argamassa que imita bambu, em homenagem aos chineses trazidos no início do século XIX para cultivar chá perto do atual Jardim Botânico. Dali se vê, de uma vez, o Corcovado, a Lagoa e o Pão de Açúcar.
A vista daqui
Do terraço do Mirante, o que domina o horizonte é o Corcovado, a 710 metros de altitude, com o Cristo Redentor no topo — a cerca de 2,4 km em linha reta, a sudoeste. Todo o verde que se vê ao redor faz parte do Parque Nacional da Tijuca.
Uma floresta plantada à mão
Aquela mata parece intocada, mas é quase toda replantada. No século XIX, as encostas foram derrubadas para o plantio de café e cana; sem a floresta, as nascentes secaram e a capital do Império passou a sofrer com falta d’água.
A partir de 1862, por ordem de Dom Pedro II, o major Manuel Gomes Archer comandou o reflorestamento, feito com o trabalho de pessoas escravizadas: cerca de 100 mil mudas, sobretudo de espécies da Mata Atlântica, plantadas ao longo de treze anos. Depois, o barão d’Escragnolle transformou a área em parque, com caminhos, fontes e lagos.
Em 1961, as florestas protegidas foram unidas no Parque Nacional da Tijuca — hoje uma das maiores florestas urbanas do mundo e o parque nacional mais visitado do Brasil.
Paisagem que é patrimônio
Em 2012, a UNESCO inscreveu “Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar” na lista do Patrimônio Mundial — a primeira paisagem urbana reconhecida assim. Entram nela o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Pão de Açúcar, a entrada da Baía de Guanabara e a orla de Copacabana: boa parte dos lugares que dão nome aos nossos quartos.
Música e boemia
A cidade em canção
Poucas cidades foram tão cantadas vistas do alto. Em 1934, Aurora Miranda e André Filho gravaram a marcha “Cidade Maravilhosa”, que ele compôs para o Carnaval de 1935. A música eternizou o apelido do Rio e acabou adotada como hino oficial da cidade.
Em 1962, Tom Jobim compôs o “Samba do Avião”, sobre a emoção de chegar ao Rio pelo ar e ver, lá de cima, o Cristo e a baía antes de pousar no Galeão — a mesma paisagem que se descortina do nosso terraço, só que com os pés no chão.