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Quarto · Mirante Laranjeiras

Mirante

O quarto que dá nome à casa — e à vista que se tem dela.

710 maltitude do Corcovado, que se vê do terraço
1862começa o replantio da Floresta da Tijuca
2012a paisagem carioca vira Patrimônio Mundial
O terraço do Mirante, com o Corcovado e o Cristo Redentor ao fundo Foto: Mirante Laranjeiras

Mirar, de onde se mira

Mirante vem de mirar, olhar com atenção. É o ponto alto de onde se contempla a paisagem — e o Rio, cidade espremida entre montanhas e mar, sempre teve vocação para eles. No fim do século XIX, o alto do Corcovado já tinha um mirante coberto, o Chapéu do Sol, muito antes de existir o Cristo.

Em 1903, a prefeitura de Pereira Passos ergueu a Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista: um pavilhão de argamassa que imita bambu, em homenagem aos chineses trazidos no início do século XIX para cultivar chá perto do atual Jardim Botânico. Dali se vê, de uma vez, o Corcovado, a Lagoa e o Pão de Açúcar.

A Vista Chinesa no início do século XX Foto: Acervo Instituto Moreira Salles · Domínio público · Wikimedia Commons

A vista daqui

Do terraço do Mirante, o que domina o horizonte é o Corcovado, a 710 metros de altitude, com o Cristo Redentor no topo — a cerca de 2,4 km em linha reta, a sudoeste. Todo o verde que se vê ao redor faz parte do Parque Nacional da Tijuca.

O Corcovado e o Pão de Açúcar vistos do alto da Floresta da Tijuca Foto: Matthias Bethke · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Uma floresta plantada à mão

Aquela mata parece intocada, mas é quase toda replantada. No século XIX, as encostas foram derrubadas para o plantio de café e cana; sem a floresta, as nascentes secaram e a capital do Império passou a sofrer com falta d’água.

A partir de 1862, por ordem de Dom Pedro II, o major Manuel Gomes Archer comandou o reflorestamento, feito com o trabalho de pessoas escravizadas: cerca de 100 mil mudas, sobretudo de espécies da Mata Atlântica, plantadas ao longo de treze anos. Depois, o barão d’Escragnolle transformou a área em parque, com caminhos, fontes e lagos.

Em 1961, as florestas protegidas foram unidas no Parque Nacional da Tijuca — hoje uma das maiores florestas urbanas do mundo e o parque nacional mais visitado do Brasil.

Estrada na Floresta da Tijuca, por volta de 1880–1890 Foto: Acervo Instituto Moreira Salles · Domínio público · Wikimedia Commons

Paisagem que é patrimônio

Em 2012, a UNESCO inscreveu “Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar” na lista do Patrimônio Mundial — a primeira paisagem urbana reconhecida assim. Entram nela o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Pão de Açúcar, a entrada da Baía de Guanabara e a orla de Copacabana: boa parte dos lugares que dão nome aos nossos quartos.

A Cascatinha Taunay, na Floresta da Tijuca Foto: Pierre André · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Música e boemia

A cidade em canção

Poucas cidades foram tão cantadas vistas do alto. Em 1934, Aurora Miranda e André Filho gravaram a marcha “Cidade Maravilhosa”, que ele compôs para o Carnaval de 1935. A música eternizou o apelido do Rio e acabou adotada como hino oficial da cidade.

Em 1962, Tom Jobim compôs o “Samba do Avião”, sobre a emoção de chegar ao Rio pelo ar e ver, lá de cima, o Cristo e a baía antes de pousar no Galeão — a mesma paisagem que se descortina do nosso terraço, só que com os pés no chão.