Pequena África é o nome dado à região que vai da zona portuária — Saúde, Gamboa e Santo Cristo — até a antiga Praça Onze. Foi ali que, entre o fim do século XIX e o início do XX, se formou a comunidade negra que deu ao Rio o samba, os ranchos e boa parte da sua cultura popular.
A região recebeu, pelo Cais do Valongo, centenas de milhares de africanos escravizados. Depois da abolição, em 1888, chegaram muitas famílias negras vindas da Bahia, que se instalaram nos cortiços e sobrados do porto e da Cidade Nova.
Entre as figuras mais importantes estavam as “tias” baianas, mulheres que cozinhavam, lideravam terreiros e abriam suas casas para festas. A mais famosa foi Tia Ciata — Hilária Batista de Almeida, nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1854, e morta no Rio em 1924.
Na casa de Tia Ciata, na Rua Visconde de Itaúna, perto da Praça Onze, reuniam-se Pixinguinha, Donga, João da Baiana e outros músicos. Foi nesse quintal que, entre o fim de 1916 e o início de 1917, nasceu “Pelo Telefone”, registrada por Donga e considerada o primeiro samba gravado.
Hoje, um circuito histórico percorre os marcos da Pequena África: o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, o Largo do Depósito, o Cemitério dos Pretos Novos e o Jardim Suspenso do Valongo. Guias locais e instituições culturais da região organizam visitas.
Dicas: faça o passeio de dia, de preferência com um guia especializado, para entender a história de cada lugar. Termine com uma roda de samba na Pedra do Sal, se for dia de roda.
Sites oficiais: Circuito da Herança Africana ↗Instituto Pretos Novos ↗