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O que fazer no Rio · Samba

Ensaios das escolas de samba

Quadras das escolas de samba

O Carnaval do Rio começa muito antes da Avenida. Durante meses, as escolas de samba abrem suas quadras — as sedes de cada escola, espalhadas pelos bairros da cidade e pela Região Metropolitana — para ensaiar o samba-enredo que vão levar à Marquês de Sapucaí. Assistir a um desses ensaios é uma das experiências mais marcantes do Rio, e o público é sempre bem-vindo.

A águia da Portela no desfile de 2015, na Sapucaí Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil · CC BY 3.0 br · Wikimedia Commons

Os ensaios costumam acontecer à noite, do segundo semestre até o Carnaval, com ingressos baratos vendidos na porta ou pela internet. A comunidade canta o samba do ano, a bateria acerta o andamento, e os passistas, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e as alas repetem o que vão apresentar no desfile. Ao longo do ano, muitas escolas também promovem feijoadas e rodas de samba.

O ponto forte do ensaio é sentir a bateria de perto: dezenas de ritmistas tocando juntos, surdos, caixas e tamborins em sintonia, e o samba-enredo cantado por toda a quadra. É o Carnaval em tamanho real, com muito menos formalidade que a Sapucaí.

Tudo converge para os desfiles no Sambódromo, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1984. Nas noites de Carnaval, as escolas do Grupo Especial cruzam a Avenida com milhares de componentes, carros alegóricos e fantasias preparados durante o ano inteiro nos barracões. Os jurados avaliam quesitos como bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias, comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Nas semanas que antecedem a festa, as escolas também fazem ensaios técnicos no próprio Sambódromo, em geral com entrada gratuita, e ensaios de rua nos seus bairros — boas oportunidades de ver a Avenida em ação sem pagar ingresso. No sábado depois do Carnaval, as seis primeiras colocadas voltam à Sapucaí para o Desfile das Campeãs.

Abaixo, as 12 escolas do Grupo Especial que desfilam no Carnaval de 2027, da mais antiga à mais jovem — toque em cada uma para conhecer sua história e acessar o site ou o perfil oficial.

Portela1923 · Madureira / Oswaldo Cruz

Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela

A Portela nasceu em 11 de abril de 1923 no bairro de Oswaldo Cruz, na região de Madureira, no subúrbio carioca, a partir dos encontros de sambistas nos quintais da vizinhança. Entre seus fundadores estão Paulo da Portela, Antônio Caetano e Antônio Rufino. É a escola de samba mais antiga em atividade no Rio e a única que participou de todos os desfiles da cidade. Suas cores são o azul e o branco, e o símbolo é a águia, que tradicionalmente abre seus desfiles.

Com 22 títulos, a Portela é a maior campeã do Carnaval carioca. O primeiro título oficial veio em 1935, e o mais recente em 2017 — dividido com a Mocidade —, depois de 33 anos de espera. Pela escola passaram nomes como Paulo da Portela, Natal, Candeia, Monarco, Clara Nunes e Paulinho da Viola, e sua Velha Guarda é referência do samba. Hoje, a quadra, o Portelão, recebe ensaios, rodas de samba e feijoadas que reúnem gerações de portelenses.

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Mangueira1928 · Mangueira

Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira foi fundada em 28 de abril de 1928, no morro da Mangueira, perto do Maracanã, por Cartola, Carlos Cachaça, Saturnino Gonçalves e outros sambistas. Cartola deu o nome — que faz referência à estação de trem ao pé do morro — e escolheu o verde e o rosa. Segundo a tradição, as cores homenageiam o Rancho dos Arrepiados, de Laranjeiras, bairro onde ele passou a infância. O símbolo é um tambor coroado, cercado de louros.

Com 20 títulos, a Mangueira é a segunda maior campeã do Carnaval carioca. A voz de Jamelão conduziu seus desfiles por mais de meio século, e sambistas como Nelson Cavaquinho e Nelson Sargento fazem parte de sua história. Entre as vitórias recentes estão a de 2016, em homenagem a Maria Bethânia, e a de 2019, com “História pra ninar gente grande”, que deu voz a heróis esquecidos pela história oficial do Brasil. A quadra, o Palácio do Samba, fica ao pé do morro.

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Unidos da Tijuca1931 · Tijuca / Morro do Borel

Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca foi fundada em 31 de dezembro de 1931, no morro do Borel, na Tijuca, pela união de blocos de comunidades vizinhas — Borel, Casa Branca, Formiga e Ilha dos Velhacos —, onde viviam muitos ex-escravizados e seus descendentes. É uma das escolas mais antigas do Rio. Suas cores são o azul-pavão e o amarelo-ouro, e o símbolo é o pavão, que passou a abrir seus desfiles em 1984, ano da inauguração do Sambódromo, no lugar do antigo emblema de mãos entrelaçadas.

A escola conquistou seu primeiro título em 1936 e esperou mais de sete décadas para voltar ao topo, já no século 21, com o carnavalesco Paulo Barros, conhecido pelos efeitos surpreendentes. Em 2010, com “É segredo!”, sua comissão de frente, cujos bailarinos trocavam de roupa num piscar de olhos, entrou para a história da Sapucaí. Vieram depois os títulos de 2012, em homenagem a Luiz Gonzaga, e de 2014, sobre Ayrton Senna, somando quatro campeonatos.

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Vila Isabel1946 · Vila Isabel

Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel

A Unidos de Vila Isabel foi fundada em 4 de abril de 1946 por Antônio Fernandes da Silva, o Seu China, no quintal de uma casa do bairro de Vila Isabel, na Zona Norte — o bairro de Noel Rosa, um dos grandes nomes do samba. Suas cores são o azul e o branco, e o símbolo é a coroa. Em 1965 chegou à escola Martinho da Vila, que renovou seus sambas-enredo com letras e melodias mais leves e hoje é seu presidente de honra.

A Vila tem três títulos. O primeiro, em 1988, veio com “Kizomba, festa da raça”, enredo de Martinho da Vila que marcou o centenário da Abolição celebrando a cultura negra e a luta contra o racismo, feito com materiais simples como palha e sisal. Em 2006, venceu com “Soy loco por ti, América”, e em 2013, com um enredo sobre o trabalhador do campo. Hoje, a escola mantém projetos sociais e culturais no bairro, como o instituto Celeiro de Bamba.

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Viradouro1946 · Niterói (Barreto)

Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Viradouro

A Unidos do Viradouro foi fundada em 24 de junho de 1946 no Barreto, em Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara. O nome foi inspirado na região por onde, na época, passavam os bondes que levavam a população. Hoje vermelha e branca, a escola usou azul e rosa até 1970. Antes de desfilar no Rio, conquistou 18 títulos no Carnaval de Niterói, incluindo cinco seguidos entre 1980 e 1984.

No Rio, o primeiro título veio em 1997, com “Trevas! Luz! A explosão do universo”, de Joãosinho Trinta, que levou à avenida a criação do universo. Depois vieram 2020, com um enredo sobre as Ganhadeiras de Itapuã, da Bahia; 2024, com “Arroboboi, Dangbé”, sobre o culto à serpente sagrada do Benim; e 2026, com “Pra cima, Ciça!”, homenagem ao mestre de bateria Ciça. São quatro títulos, três deles nos últimos anos, o que faz da Viradouro uma das forças do Carnaval atual.

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Beija-Flor1948 · Nilópolis

Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis

A Beija-Flor de Nilópolis foi fundada no dia de Natal de 1948, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Suas cores são o azul e o branco, e o símbolo é o beija-flor. A virada veio em 1976, com a chegada do carnavalesco Joãosinho Trinta, que deu à escola um tricampeonato logo de saída — 1976, 1977 e 1978 — e desfiles de grande luxo. Em 1989, seu antológico “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” levou à avenida uma escultura do Cristo coberta por plástico preto, depois de uma proibição na Justiça.

Com 15 títulos, a Beija-Flor é a terceira maior campeã do Carnaval carioca e a que mais venceu desde a inauguração do Sambódromo, em 1984. O título mais recente, em 2025, homenageou Laíla, histórico diretor de carnaval da escola, e marcou a despedida de Neguinho da Beija-Flor, sua voz por cerca de 50 carnavais. Em 2026, ficou em segundo lugar, a um décimo da campeã. Em Nilópolis, a escola também mantém projetos sociais e educativos.

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Paraíso do Tuiuti1952 · São Cristóvão / Morro do Tuiuti

Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti

O Paraíso do Tuiuti foi fundado em 5 de abril de 1952, no morro do Tuiuti, em São Cristóvão, perto do Centro, reunindo sambistas de agremiações mais antigas do morro. Suas cores são o amarelo e o azul. Por décadas, a escola desfilou nas divisões de acesso: estreou no Grupo Especial em 2001, voltou a ele em 2017, depois de vencer a divisão de acesso, e desde então segue na elite do Carnaval carioca.

O grande momento veio em 2018. Com “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola lembrou os 130 anos da Abolição e questionou a exploração dos trabalhadores de hoje. Terminou vice-campeã, apenas um décimo atrás da Beija-Flor — o melhor resultado de sua história —, e o desfile teve repercussão internacional. Desde então, o Tuiuti é lembrado por enredos de forte conteúdo social, que dialogam com o Brasil de hoje.

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Salgueiro1953 · Tijuca / Morro do Salgueiro

Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro

O Acadêmicos do Salgueiro foi fundado em 5 de março de 1953, da fusão de duas escolas do morro do Salgueiro, na Tijuca: a Depois Eu Digo e a Azul e Branco. Adotou o vermelho e o branco e o lema “Nem melhor nem pior, apenas uma escola diferente”. Nos anos 1960, com carnavalescos como Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, levou à avenida heróis negros da história do Brasil, como Zumbi dos Palmares e Chica da Silva, e renovou a estética dos desfiles.

São nove títulos: 1960, 1963, 1965, 1969, 1971, 1974, 1975, 1993 e 2009. Os de 1974 e 1975 foram assinados por Joãosinho Trinta, que se formou no Salgueiro antes de brilhar na Beija-Flor, e o de 1993, com “Peguei um Ita no Norte”, deixou um dos refrões mais cantados da Sapucaí. O último veio em 2009, com “Tambor”. A bateria, apelidada de Furiosa, é uma das atrações dos ensaios na quadra da escola, no Andaraí.

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Mocidade1955 · Padre Miguel

Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi fundada em 10 de novembro de 1955, em Padre Miguel, na Zona Oeste, a partir de um time de futebol do bairro. Suas cores são o verde e o branco, e o símbolo é a estrela. A bateria ganhou fama com Mestre André, a quem se atribui a criação da “paradinha”, a pausa ensaiada em que os ritmistas param de tocar por alguns instantes enquanto a escola segue cantando — recurso hoje usado por muitas escolas.

São seis títulos: 1979, 1985, 1990, 1991, 1996 e 2017, este último dividido com a Portela. O de 1985, com “Ziriguidum 2001”, do carnavalesco Fernando Pinto, levou um carnaval futurista para as estrelas e é um dos desfiles mais lembrados da escola, que viveu outra fase vitoriosa com Renato Lage nos anos 1990. A Mocidade também é madrinha da London School of Samba, a primeira escola de samba do Reino Unido.

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Imperatriz1959 · Ramos (Leopoldina)

Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense

A Imperatriz Leopoldinense foi fundada em 6 de março de 1959, em Ramos, na Zona Norte, por sambistas liderados pelo farmacêutico Amaury Jório. O nome vem da Leopoldina, a região cortada pela antiga estrada de ferro de mesmo nome, e a coroa do símbolo lembra o Primeiro Reinado e a imperatriz Leopoldina. As cores verde, branco e ouro foram herdadas da madrinha, o Império Serrano, uma das escolas mais tradicionais do Rio.

São nove títulos. O de 1989, com “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!”, sobre o centenário da República, é considerado por muitos um dos maiores sambas-enredo de todos os tempos. Entre 1994 e 2001, a carnavalesca Rosa Magalhães levou a escola a cinco títulos, incluindo o tricampeonato de 1999, 2000 e 2001. Depois de 22 anos de espera, a Imperatriz voltou a vencer em 2023, com um enredo de Leandro Vieira sobre o cangaceiro Lampião.

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Grande Rio1988 · Duque de Caxias

Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio

A Acadêmicos do Grande Rio foi fundada em 22 de setembro de 1988, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, pela união de duas agremiações da cidade — a Grande Rio e a Acadêmicos de Duque de Caxias —, sob a liderança de Milton Perácio. Suas cores são o verde, o vermelho e o branco. A escola subiu rápido pelas divisões de acesso, venceu o grupo de acesso em 1992 e desfila no Grupo Especial desde 1993.

Por muitos anos, a Grande Rio foi conhecida pelos desfiles grandiosos e colecionou vice-campeonatos, como os de 2006, 2007, 2010 e 2020. O primeiro título veio em 2022, com “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que enfrentou estereótipos sobre Exu, entidade das religiões afro-brasileiras, e emocionou a Sapucaí. Hoje, a escola de Caxias está entre as que têm mais seguidores nas redes sociais.

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União de Maricá2015 · Maricá

Grêmio Recreativo Escola de Samba União de Maricá

A União de Maricá foi fundada em 26 de maio de 2015, na cidade de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, com o propósito de unir as antigas escolas de samba do município. Suas cores são o vermelho, o amarelo-ouro, o azul e o branco. Tem como madrinha a Unidos do Porto da Pedra e como padrinho o Cordão da Bola Preta, homenageado no desfile de 2018, que deu à escola seu primeiro título, na Série Bronze.

A subida foi rápida: depois da Série Bronze, a escola passou pela Série Prata, estreou na Sapucaí em 2024, na Série Ouro, e em 2026 foi campeã dessa divisão com “Berenguendéns e Balangandãs”, do carnavalesco Leandro Vieira, sobre as joias usadas por mulheres negras como símbolo de fé, proteção e liberdade. Caçula do Grupo Especial, a União de Maricá estreia na elite no Carnaval de 2027, com um enredo sobre Darcy Ribeiro.

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Dicas: confira a agenda de ensaios nas redes sociais de cada escola, vá e volte de aplicativo e vista roupa leve — as quadras ficam quentes e cheias. Aprenda antes o refrão do samba-enredo: você vai acabar cantando junto.