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O que fazer no Rio · Gastronomia

Feira da Glória

Glória2,9 km do Mirante

Todo domingo, a Avenida Augusto Severo, na Glória, se transforma na maior feira livre do Rio. A Feira da Glória ocupa a avenida da altura do Passeio Público até as proximidades da igreja do Outeiro da Glória, com mais de 150 expositores de frutas e verduras, peixes, flores, comida pronta, roupas e artesanato. Os vizinhos fazem ali as compras da semana, e gente de toda a cidade vem para comer, beber e encontrar os amigos.

O bairro da Glória visto do alto, com o Outeiro e o Aterro ao fundo Foto: Donatas Dabravolskas · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

A feira existe há mais de um século — reportagens recentes falam em cerca de 115 anos — e atravessou gerações de moradores. O comércio de alimentos tem raízes antigas no bairro: entre 1858 e 1903, a Glória teve um mercado público, o Mercado da Glória, demolido nas reformas urbanas do início do século XX. Em 2025, uma lei estadual reconheceu a Feira Livre da Glória como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

A parte mais tradicional da feira continua lá: barracas de frutas, verduras e legumes, peixes fresquinhos, temperos e flores, com os pregões dos feirantes e o vaivém dos carrinhos de feira. Com o tempo, a feira cresceu e ganhou também roupas, objetos de decoração e artesanato. No caminho, repare no Relógio da Glória, de quatro faces, inaugurado em 1905 e tombado como patrimônio estadual.

Para muitos, porém, a feira é sobretudo lugar de comer. O clássico é o pastel de feira, frito na hora, com caldo de cana gelado — algumas barracas de pastel são verdadeiras instituições. Nos últimos anos, a feira virou também vitrine de cozinheiros imigrantes e refugiados, com ceviche peruano, arepas venezuelanas, choripán argentino, empanadas chilenas, shawarma sírio e pratos da Nigéria e de Angola, ao lado de bolinhos e petiscos brasileiros. Parte das barracas de comida se espalhou pela vizinha Praça Paris.

O ponto forte é o clima. À medida que o dia avança, formam-se rodas de samba e a avenida se enche de famílias, jovens, turistas e moradores de todas as idades. Em 2024, a revista Time Out elegeu a Glória o nono bairro mais legal do mundo, e a feira foi um dos destaques citados. Nos domingos mais cheios, dá até trabalho andar entre as barracas — faz parte da festa.

Dicas: a feira começa cedo, de manhã; as barracas tradicionais costumam desmontar no início da tarde, enquanto a comida e o samba às vezes seguem por mais tempo — confira os horários antes de ir. Para frutas e peixes, chegue cedo; para comer e ouvir samba, vá mais tarde. Leve dinheiro trocado e uma sacola, e fique atento aos pertences na multidão. Depois, suba ao Outeiro da Glória ou caminhe até a Marina da Glória e o Aterro do Flamengo, ali ao lado.